• Mentiras reunidas

"Mentiras reunidas", novo lançamento da Editora Oficina Raquel, reúne toda ficção publicada de Alex Castro: o romance "Mulher de um homem só", os contos de "Onde perdemos tudo" e mais doze narrativas inéditas.O livro, em formato capa dura, com direito a bookbag exclusivo, dois marcadores de página e dedicatória apócrifa, está disponível para compra SOMENTE na pré-venda, somente no site da Editora Oficina Raquel, até 15 de abril. Depois da pré-venda, ele não será reimpresso nem distribuído em livrarias.Cinco dos doze contos inéditos são exclusivos da versão capa dura e não estarão incluídos nas versões brochura, ebook e áudiolivro, a serem lançadas no final de 2021.* * *Comprando "Mentiras reunidas" na versão capa dura, você ganha:— 1 bookbag EXCLUSIVO: só estará disponível para quem comprar o capa dura, não será vendido separadamente, não será produzido no futuro;— 5 contos inéditos e EXCLUSIVOS da versão capa dura: não estarão nas outras versões (brochura, ebook, audiolivro) que serão lançadas no final do ano;— 1 dedicatória, apócrifa e ficcional, inventada na hora, exclusiva para você;— 2 marcadores de página.* * *Porque mentirTudo é mentira nesse livro: não só os contos, mas os elogios da contracapa e o texto das orelhas, o prefácio e o posfácio, tudo, enfim.Se esse exemplar na sua mão tiver uma dedicatória escrita por mim, ela também é mentira. (Toda dedicatória que escrevo é sempre mentirosa: um microconto que invento na hora e escrevo ao vivo. Somente o nome da recipiente é real.)Mas por que mentir? Por que escrever dedicatórias apócrifas, orelhas fajutas, biografias falsas? Por que tanto desrespeito à pessoa que está lendo? Por que perder tempo em brincadeiras bobas? Por quê? Para quê? Ou, mais fundamentalmente, no meio de uma pandemia global, para quê escrever ficção?* * *Vivemos a Era da Mentira.Hoje, temos na presidência do Brasil e dos Estados Unidos dois homens eleitos na base de notícias falsas.Por outro lado, essas notícias falsas se tornaram um problema justamente porque as pessoas estão tão céticas que, em seu ceticismo crédulo, acreditam ingenuamente em qualquer teoria alternativa dos fatos.Um dos grandes paradoxos dos tempos atuais é que foram exatamente as pessoas mais céticas e cínicas que se tornaram as maiores crédulas e ingênuas. (Antes da pandemia, que roteirista teria incluído em seus filmes uma comunidade de "negacionistas do apocalipse zumbi"?)Todos os dias, nas redes e aplicativos, somos bombardeadas por uma saraivada de mentiras, mas não apenas mentiras: mentiras que batem retumbantemente no peito para se proclamar verdades, mentiras orgulhosas de serem as únicas verdades, mentiras que insistem representar a verdadeira verdade.Nesse mundo, o que pode ser mais subversivo do que uma mentira que se afirma mentira? Nesse contexto, o que pode ser mais revolucionário do que uma mentira que se gaba de ser mentira?* * *Sou bacharel em História. Fui treinado para pesquisar e investigar, descobrindo assim a verdade sobre os fatos do passado.Sou escritor de ficção. Passei a vida inteira inventando histórias que nunca aconteceram com pessoas que nunca existiram.A verdade está no centro do meu trabalho, seja para buscá-la ou evitá-la. Tudo o que faço profissionalmente diz sempre respeito à verdade, seja reflexão ou discurso, ataque ou defesa, repudiação ou fuga.Chamamos ficção de ficção porque não queremos chamá-la por seu nome verdadeiro. Ficção é mentira. Um livro de contos é um livro de mentiras. Mais importante, é um livro de mentiras que nunca te engana sobre o fato de ser um livro de mentiras.* * *
A leitora distraída, se abrisse esse livro na livraria e lesse somente uma orelha, talvez até se deixasse enganar.Mas bastaria ler a outra orelha para detectar a discrepância e sentir o estranhamento. Afinal, ambas se contradizem e se anulam.Talvez pensasse que ou uma orelha ou a outra teria necessariamente que ser mentira.Talvez se desse conta que poderiam as duas ser mentira.Talvez (quem sabe!) pecebesse até mesmo que toda orelha de todo livro é sempre mentira.Afinal, o que é uma orelha de livro senão uma narrativa ficcional para criar uma persona vendável ou prestigiosa para a pessoa autora? (Com ou sem foto? Foto de rosto ou de corpo inteiro? Foto na praia ou na biblioteca? Melhor citar os títulos acadêmicos ou os títulos dos livros publicados? As esposas ou os filhos? As viagens ou as falências?)Se as orelhas são mentira, o que dizer então dos prefácios e dos posfácios? Dos elogios da contracapa e dos agradecimentos finais?E não só desse livro, mas de todos os outros que já li, pensaria a hipotética leitora: esses livros em quem tanto confiei.Ou, talvez, distraída e desinteressada, simplesmente colocasse o livro de volta na mesa e fosse comprar um Moleskine.* * *Um editor se recusou a publicar esse livro (chamado Mentiras Reunidas, vamos lembrar) por causa do excesso de mentiras.O livro é de ficção, respondi.Ora, nas orelhas, na biografia, nos elogios da contracapa não pode.Mas por quê? Se o livro é ficção, por que não ser tudo ficção?A verdade é que é tudo mentira.A mentira é que nada é verdade.Alex Castro,Copacabana, 6 de janeiro de 2021* * *Primeiras mentirasMentiras reunidas, antologia que sai agora pela editora Oficina Raquel, reúne trinta e dois anos de produção ficcional, entre 1987 e 2019.O livro abre com a noveleta Mulher de um homem só, escrita entre 1996 e 2001, talvez meu trabalho preferido. Depois de uma bem-sucedida campanha de financiamento coletivo, foi publicada em 2009 pela editora independente Os Viralata, do saudoso Branco Leone. (Existe uma recompensa para informações sobre seu paradeiro.) Minha querida amiga e artista plástica Isabel Löfgren criou três capas diferentes — azul, laranja e magenta — que logo se transformaram em item colecionável. Reescrevi tudo em 2019: a versão publicada aqui é inédita.A coletânea Onde perdemos tudo continua em casa: foi publicada por essa mesma Oficina Raquel em 2011 e reúne contos sobre o tema comum da perda, escritos entre 1994 e 2004. A capa, mais uma vez da Isabel, é a minha preferida dentre todos os meus livros; ela também assina a capa desse Mentiras reunidas. O último conto “A falta que nos fazem os figos” teve que ser modificado às pressas para incluir desenvolvimentos que acabavam de acontecer e que são referidos no próprio texto. Muito obrigado à minha querida editora Raquel Menezes pela paciência e flexibilidade. (Os números de página citados no conto se referem à edição original de 2011.)Depois da festa junina, em volta da fogueira reúne não só contos muito antigos, escritos entre 1987 e 1997, mas também temáticos: são todos histórias de terror à moda antiga. O livretinho, costurado artesanalmente, foi produzido em Curitiba pela Editora Cavalo Babão e dado de presente de fim-de-ano aos funcionários, colaboradores e acionistas da Panair do Brasil, pouco antes de sua falência, em 1998. (Hoje, tornou-se raríssimo. Perdi meus únicos exemplares durante o Furacão Katrina, em 2005. O último que encontrei, em um sebo de Alter-do-Chão, custava R$600 e me recusei a pagar.)O conto “A falta que nos fazem os figos”, depois incluído como último conto de Onde perdemos tudo, originalmente era o primeiro conto de Depois da festa junina, em volta da fogueira. Assim, as pessoas que lerem Mentiras reunidas na sequência terão a experiência de pular de um livro a outro passando por uma pequena área comum.
Por fim, a seção “Mentiras avulsas” reúne quatro contos, escritos entre 1994 e 2019, nunca antes publicados em forma de livro.“Como nos velhos tempos” apareceu no primeiro número da revista Klaxon (terceira fase, 2000), cuja tiragem acabou sendo recolhida em circunstâncias embaraçosas que não preciso recontar. Em 2015, graças aos esforços do meu amigo e advogado Antonio Eduardo Ramires Santoro, o processo foi julgado extinto por inépcia e improcedente por litigância de má fé. O conto aparece aqui pela primeira vez com todos os nomes verdadeiros.Nos sete anos entre “A cigarrilha apagada”, publicada em 2012 no site PapodeHomem, e “A cachorra atropelada”, escrita em 2019 especialmente para Mentiras reunidas, não escrevi literatura. (Os motivos do autoexílio estão narrados em meu Atenção., publicado pela Editora Rocco.) Muito obrigado a toda a sanga de Eininji — Templo do Cuidado Amoroso Eterno, pela acolhida durante meus anos de silêncio e recolhimento.Talvez seja desnecessário afirmar, mas Mentiras reunidas é um livro de ficção.Alex CastroCopacabana, 10 de janeiro de 2021* * *Últimas mentirasMulher de um homem sóComeçada em Buenos Aires, em 1996, e terminada no Rio, em 9 de setembro de 2001, na mesma semana em que me casei pela primeira vez, com Diane Cruz Almeida. Reescrita em 2019. Agradecimentos a Renata Dantas de Araujo, Fernanda Pucheu, Derek e Patrícia Höck, Ana Maria Flores, Deborah e Marcelo Spector, Jayme Landmann, Guilherme Vieira, Mauricio Trida, Albano Martins Ribeiro, Paula Berbert, Diane Cruz Almeida, Regina Glória Dantas de Araujo, Mônica Kalil.Onde perdemos tudoA morte do meu cachorroFinalizada a 23 de março de 1997, em Nova Orleans, pouco depois de uma dolorosa visita à Fiona em Buenos Aires. Alguns anos depois, nos reencontramos e voltamos a ser melhores amigos. (A reconciliação inspirou o conto “Quando morrem os pêssegos”) Fiona faleceu em 2009, voando do Rio para Paris. Eu iria encontrá-la na semana seguinte. Essa história é dedicada a ela.De portas abertasEscrita em 2 de agosto de 2004, na Praia de Trindade, em Paraty, poucos dias depois da minha separação definitiva de minha primeira esposa. Não sei se sou eu ou ela quem quer tanto desesperadamente entrar. Talvez ambos. Dedicado a Diane, seu segundo marido, Michelle, seus filhos Jarno e Beatrice.Onde perdemos tudoTerminada em 23 de outubro de 1994, no Rio. Romance hipercondensado que acabou virando um conto. Inspirado em uma carta que me mandou uma ex-namorada. Não sei se chegou a ler a história, nem o que achou. Estou proibido de mencionar seu nome nos meus textos.Quando morrem os pêssegosTerminada em 1º de junho de 1996, para celebrar a reconciliação com Fiona, minha melhor amiga da vida inteira, depois de alguns anos dolorosos sem nos falarmos. Baseada em um koan zen. Dedicada à Anália, seu marido, Rui, suas filhas Patrícia e Ludmilla, e sua primeira netinha, Luar.A falta que nos fazem os figosTerminada a 22 de junho de 1994. Obrigado a Dona Mitzi, Gália, Raquel e Gabriela pela permissão de usar seus nomes verdadeiros. Reescrita às pressas em meados de 2011 para inclusão no livro Onde perdemos tudo. Obrigada à editora Raquel Menezes, da Oficina Raquel, pela paciência e disponibilidade.Depois da festa junina, em volta da fogueiraMoça de sorteEscrita a 16 de junho de 1993, visitando minhas amigas Isabel e Fernanda em Smith College. Parece ficção, mas a história aconteceu de verdade, no Alice B. Toklas House, em 10 de fevereiro de 1988. A estudante que encontrou o corpo era uma turca chamada Asligul Berktay e o caso foi amplamente coberto pela imprensa local.Não adianta morrerEscrita em 17 de março de 1989, em Buenos Aires, na casa da Fiona. Em um mundo de histórias de terror cada vez mais elaboradas, eu sentia falta de nossos velhos e simples terrores, como, por exemplo, o terror de ser casada com um homem babaca.Uma questão de féEscrita a 3 de fevereiro de 1992, na Pousada da Fazenda Santo Honesto, em Capivara, que nunca foi um internato, mas é um dos lugares mais lindos onde já me recuperei de um grave acidente. O cachorro não precisou ser sacrificado, a ferida não infeccionou e ganhei com uma cicatriz máscula no rosto. Muito obrigado aos administradores Camael e Pavência, por me receberem tão bem.
A surdez do meu avôEscrita a 16 de junho de 1991, pouco depois da morte do meu avô, João Luiz, engenheiro, classe de 1938, Instituto Eletrotécnico de Itajubá. Dedicado a memória do meu pai, com um abraço carinhoso à Geisa, sua viúva.A menina do copo d’águaEscrita a 23 de fevereiro de 1988, depois de um carnaval inteiro trocando histórias de fantasmas em volta da fogueira, com Renata, Fernanda, Debbie, Isabel. Essa foi uma de tantas que ouvi, nem me lembro quem contou. Dedicado, com um amor sem fim, às minhas melhores amigas queridas da adolescência.Te espero no açougueEscrita a 18 de abril de 1994. Dedicada, com agradecimentos e gratidão, a todas as pessoas não-artistas que nos aturam, nos consomem, nos sustentam, nos possibilitam.Às vezes, morroEscrita a 27 de janeiro de 2010. Dedicada à minha memória, precocemente falecido durante a escritura desse contículo.Sangue e morte na noite de natalEscrita na véspera de natal de 1987, em meio a um evento familiar movimentado e insuportável. Quase todos os participantes sobreviveram (saudades, tio Hélio) e rendeu o conto mais antigo desse livro. Dedicado à minha mãe, de quem herdei todas as habilidades artísticas e comunicativas que uso para ganhar a vida desde sempre e até hoje.Mentiras avulsasComo nos velhos temposEscrita entre 18 de janeiro de 2000 e 29 de novembro de 2002, durante o primeiro boom da Internet. Não vou citar o imbróglio judicial causado por esse conto, (tive que fechar minha consultoria de UX e ir morar em Havana), mas fica a dedicatória, com agradecimentos, a Antonio Eduardo Ramires Santoro, meu advogado e um dos meus antigos e melhores amigos. Totalmente revisada e reescrita em dezembro de 2019.Grandezas de canduraEscrita a 2 de fevereiro de 1994, na sala de embarque do Galeão, antes de voar para Buenos Aires e visitar Fiona pela última vez. (O conto “A morte do meu cachorro” é o resultado dessa viagem.)Uma cigarrilha apagadaEscrita a mão, no CCBB RJ, a 11 de junho de 2012, durante o Festival Cena Brasil Internacional. Foi o último texto de ficção que escrevi antes de meu internamento voluntário de sete anos. Dedicado a uma pessoa que muito me amou e nunca me escolheu. Às vezes, quando faz frio e está úmido, ainda sinto uma pontada.A cachorra atropeladaHistória inédita, escrita especialmente para esse livro. Terminada em 14 de dezembro de 2019, entre o meu casamento civil e o meu casamento religioso com a minha primata favorita, dentre todas as primatas, Marina. Obrigado a todas as pessoas que leram e releram diversas versões dessa história durante o seu longo processo de elaboração.* * *

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Autor Alex Castro
Editora Oficina Raquel
Idioma PORTUGUES
Encadernação CAPA DURA
Páginas 0
Ano de edição 2021

Mentiras reunidas

  • R$180,00